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Passeando no rio Tejo, em Lisboa

 

Luís de Camões, "Descalça vai para a fonte", poema e sugestões de análise


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Contém 38 perguntas seguidas das respetivas respostas
33 Poesias seguidas das respetiva análises ideológica e formal


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     Camões lírico

Descalça vai para a fonte

Lianor pela verdura;

Vai fermosa, e não segura.


Leva na cabeça o pote,

O testo nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata,

Sainho de chamelote;

Traz a vasquinha de cote,

Mais branca que a neve pura.

Vai fermosa e não segura.


Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro entrançado

Fita de cor de encarnado,

Tão linda que o mundo espanta.

Chove nela graça tanta,

Que dá graça à fermosura.

Vai fermosa e não segura.

                                    Luís de Camões

Sugestões 

de 

1. Análise ideológica 

 Tema 

A exaltação da beleza de uma jovem, chamada Leanor

Desenvolvimento do poema

A descrição da beleza e graciosidade de Leanor (talvez a mulher amada) aparentemente mais física do que espiritual, que se conclui, logo no início, pela expressão “vai fermosa e não segura”, (último verso do Mote, que funciona como refrão). 

Esta dualidade: beleza física / beleza espiritual é um enigma, ou seja, não está explicita a razão da sua insegurança. Podemos, então, inferir que o sujeito poético receia que, devido à sua grande beleza, Leanor possa, a qualquer momento, ser atraída pelo amor.

Artifícios poéticos de que se serviu o autor para descrever a sua deusa 

Utilização de cores

O vermelho do vestuário, a sugerir alegria, juventude

O branco da pele e os cabelos loiros que sugerem ingenuidade, perfeição e pureza  de Leanor mas, ao mesmo tempo, sensualidade, sedução, paixão. 

A apresentação da jovem

O próprio facto de Leanor se deslocar descalça é chamativo, visto que ninguém fica indiferente a tanta originalidade pois, à sua passagem, “o mundo (se) espanta”

A natureza

O enquadramento bucólico em que Leanor se move é digno de uma deusa

Uma paisagem idílica, tendo como pano de fundo um campo atapetado de “verdura”

Recursos estilísticos

Hipérbole

“mais branca que a neve pura”

“tão linda que o mundo espanta”

“chove nela graça tanta/ que dá graça à fermosura”

Metáfora

 “O testo nas mãos de prata”

 “cabelos de ouro”(em que ressaltam duas caraterísticas  do retrato clássico da mulher: cabelos loiros e a brancura das mãos)

 Personificação

 “tão linda que o mundo espanta”

 Adjetivação expressiva

“fermosa, pura, linda”

 Diminutivo 

A traduzir o encantamento do sujeito face à graciosidade de Leanor

 “sainho” (saia)

“vasquinha de cote“(casaco)


2. Sugestões de análise formal

Toda esta descrição de Leanor nos é transmitida através de um Vilancete, visto tratar-se de um poema  formado por um Mote de três versos, seguidos de duas glosas (sete versos cada). O verso é de 7 sílabas (redondilha maior) e a rima é emparelhada e interpolada.

           marfer/cilamatos



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