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SE HELENA

Os Lusíadas - estudo do Canto I - Invocação. Estrofes 4 e 5 seguidas de explicação em português atual



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Coleção
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cilamatos é o pseudónimo de Licínia Matos 

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Francês) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal 

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Os Lusíadas



4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene.

Explicação
Camões dirige-se às ninfas do Tejo (deusas), dizendo que elas têm nele um novo poeta apaixonado, que sempre celebrou com muita alegria o seu Rio (o Tejo) em versos simples. Por isso pede, agora, que elas lhe concedam grande inspiração, estilo elevado e linguagem grandiosa e abundante (um estilo épico) para que ele escreva este poema (os Lusíadas) e ele não seja inferior aos poemas de Homero - (Ilíada e Odisseia).

Febo= era considerado o deus do sol e da luz, das artes, das letras e da medicina.
Hipocrene = era uma fonte consagrada às Musas e a Apolo. Consideravam que, quem nela bebia ficava poeta.

5
Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

Explicação
O poeta pede, às deusas, uma grande inspiração, não como a da flauta pastoril (“avena”) ou da flauta sem arte, ou seja, não uma inspiração fraca, mas um estilo épico; pede grande capacidade para escrever versos que estejam à altura dos grandes feitos dos portugueses e permitir que, se tão sublimes virtudes podem ser cantadas em verso, todo o mundo as conheça e louve. 

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