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Árvores seculares-Penedo da Saudade, Coimbra, Portugal

 

Camões, poema "Os bons vi sempre passar" e sugestões de análise ideológica e formal

 Notas prévias 

1. Este Blog é dedicado ao estudo da Literatura Portuguesa, segundo os programas do Ministério da Educação, para alunos pré-Universitários, numa coleção chamada:

"Aprender é fácil" 

2.A metodologia seguida consiste em perguntas teóricas seguidas de  sugestões de respostas. A parte prática consiste em testes com perguntas seguidas, igualmente, com sugestões de respostas 

3. Já se encontra à venda, na Amazone, o Ebook da mesma autora deste Blog que se indica em baixo

Coleção
 Aprender é fácil

                      Contém 38 perguntas e as respetivas respostas  e 33 poesias com análise ideológica e formal

(Portuguese Edition) eBook Kindle

Camões lírico
Poema

"Os bons vi sempre passar"

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo grandes tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
                           Luís de Camões     

            
 Sugestões de análise

Poema com conteúdo intemporal, cheio de veracidade, uma vez que o sujeito poético, ao fazer uma reflexão sobre o mundo que o rodeia, fica espantado com as injustiças sociais, pois constata que os maus são sempre recompensados, conseguem tudo o que querem e vivem num “mar de contentamento”, enquanto os bons sofrem e vivem num mundo de “graves tormentos”.

 Para acentuar que este desconcerto do mundo é constante, o sujeito poético utiliza a repetição anafórica “vi sempre”, “vi sempre” (repetição no mesmo local, em  versos diferentes).

Após reflexão sobre a realidade exterior, o “eu” refere a sua experiência pessoal: “Cuidando alcançar…/  o bem tão mal ordenado” decidiu ser mau já que, (pensava ele), iria ser recompensado à semelhança do que acontecia  com os outros. 
No entanto a introdução da adversativa “mas”, (verso 8) põe em evidência o carácter de exclusividade em relação a ele, porque, ao contrário do que acontecia com os outros maus, ele foi castigado. 

Perante esta realidade conclui que não há justiça e revela a sua desilusão  desabafando: “Assim… só para mim / anda o Mundo concertado”.

Poema de caráter lírico uma vez que o sujeito poético exterioriza o seu mundo interior, exprime as suas ideias e os seus sentimentos perante o mundo de injustiças, em que vive. O discurso poético é de 1ª pessoa “vi…fui…” tratando-se, portanto, de um narrador autodiegético.

- Sob o ponto de vista formal é uma Esparsa, visto ser constituído apenas por uma estrofe. 
- O verso é de 7 sílabas (redondilha maior) e a rima é interpolada e emparelhada. 

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