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A Natureza a renovar-se-Chegou a Primavera!

 

Bocage: poema "Fiei-me nos sorrisos da ventura" e sugestões de análise

 

Fiei-me nos Sorrisos da Ventura





Fiei-me nos sorrisos da ventura,
Em mimos feminis, como fui louco!
Vi raiar o prazer; porém tão pouco
Momentâneo relâmpago não dura:

No meio agora desta selva escura,
Dentro deste penedo húmido e ouco,
Pareço, até no tom lúgubre, e rouco
Triste sombra a carpir na sepultura:

Que estância para mim tão própria é esta!
Causais-me um doce, e fúnebre transporte,
Áridos matos, lôbrega floresta!

Ah! não me roubou tudo a negra sorte:
Inda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.
                                          Bocage, in 'Rimas'

Tópicos para ajudar na análise do poemas

1. Divisão do texto em parte lógicas e assunto de cada uma delas


1ª parte

A primeira quadra que revela a frustração amorosa do sujeito poético perante a efemeridade do prazer.

2ª parte

Segunda quadra e primeiro terceto

Descrição do cenário onde se encontra o "locus horrendus"; a paisagem com diversos símbolos de horror que traduzem o estado de espírito do eu lírico.

3ª parte

O último terceto

A consolação que o sujeito lírico encontra e a aceitação do sofrimento.


2. Relação Eu / Mulher / Natureza

Ao sofrer a ausência da figura feminina (a mulher amada) o Eu enganado, ludibriado e frustrado refugia-se na Natureza horrenda que parece refletir o seu estado de espírito.


3. Relação do cenário com o estado de alma do eu lírico 

"selva escura"; "penedo húmido e oco"; "áridos matos, lôbrega floresta" representam o "locus horrendus", pois trata-se de uma paisagem feia, escura, lúgrube, triste o que está de acordo com o estado de alma do sujeito poético pois também ele  se sente triste, taciturno, a sofrer e a chorar as mágoas. Há uma conformidade entre o seu estado de espírito e o cenário.


4. Alguns dos recursos estilísticos presentes no poema

Personificação 

Metonímia 

Metáfora 

Anástrofe

Dupla adjetivação

Comparação

Invocação

Enumeração

Hipérbole (do sofrimento, ao longo de todo o poema)


5. Análise formal do poema

O poema é um soneto  visto que é formado por duas quadras e dois tercetos. Os versos são decassílabos. Rimas emparelhadas e e interpoladas nas quadras e cruzadas nos tercetos.

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