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Árvores seculares-Penedo da Saudade, Coimbra, Portugal

 

Bocage, Poema : "O céu, de opacas sombras abafado" e comentário

O céu, de opacas sombras abafado,

Tornando mais medonha a noite fea,
Mugindo sobre as rochas, que saltea,
O mar, em crespos montes levantado;

Desfeito em furacões o vento irado;
Pelos ares zunindo a solta area;
O pássaro nocturno, que vozea
No agoireiro cipreste além pousado;

Formam quadro terrível, mas aceito,
Mas grato aos olhos meus, grato à fereza
Do ciúme e saudade, a que ando afeito.

Quer no horror igualar-me a Natureza;
Porém cansa-se em vão, que no meu peito
Há mais escuridade, há mais tristeza.

                                                              Bocage


Manuel Maria de barbosa du Bocage foi um poeta português
Nasceu em 15 de setembro de 1765, em Setúbal
Morreu em 21 de dezembro de 1805, em Lisboa

Tópicos para melhor compreensão das ideias do  poema

Sendo bocage um escritor de caraterísticas pré românticas, no poema surge  uma noite de tempestade no mar furioso que serve de pano de fundo para extravasar o seu estado de espírito.
A noite, com os seus horrores, quer tornar-se igual a ele, quer  igualá-lo, mas não consegue porque nele ainda "Há mais escuridão, há mais tristeza". 

marfer/cilamatos

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