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SE HELENA

Bocage, "Importuna Razão, não me persigas", poema seguido de sugestões de análise


Manuel Maria Barbosa du Bocage foi um poeta português representante do arcadismo lusitano.


Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;

Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.
Bocage

Sugestões de análise

O soneto constrói-se  em torno de duas forças que se opõem e se relacionam. São elas: a razão e o sentimento.

A razão é caraterizada como "Importuna"; agressiva("ríspida voz") e fraca, porque acusa, mas não dá a resolução para os problemas que levanta:"em vão murmura(...) se a força da ternura/nem domas, nem contrastas, nem mitigas(...)não dás cura".

O sentimento: amor / paixão é caraterizado como algo que atrai irresistivelmente, fatalmente o sujeito poético:"deixa-me apreciar minha loucura(...)/Queres que fuja de Marília(...) o meu desejo/é carpir, delirar, morrer por ela".

Alem das duas entidades abastratas encontramos, no poema, duas personagens concretas: o poeta e a sua amada, Marília. Entre eles há uma relação de amor fatal, visto que é identificado pelo sujeito poético como"loucura" e ele não consegue obedecer aos apelos da razão, mas pelo contrário, quer Marília ainda que isso lhe custe a vida:"0 meu desejo/é (...)morrer por ela".

Pela forma este poema integra-se na estética clássica pois  é um soneto (duas quadras e dois tercetos).

Pelo conteúdo é pré-romântico, pois nele o sujeito poético debate-se entre a razão e o sentimento. Todo o soneto é dominado pelo egocentrismo e por um amor que pode conduzir até à morte.





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