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A Natureza a renovar-se-Chegou a Primavera!

 

Antínio Ferreira: Apologia da Língua Portuguesa "Floreça, Fale, Cante, Ouça-se e viva"


António Ferreira escritor português do séc. XVI


Floreça, fale, cante, ouça-se e viva

A portuguesa língua! E já onde me for,

Senhora vá de si, soberba e altiva,

Se T’équi este baixa e sem louvor,

Culpa é dos que a mal exercitaram.

Esquecimento do nosso e desamor”


Sugestões de análise

Este excerto pertence à Carta que António Ferreira mandou a Pêro  de Andrade Caminha e integra-se no seu magistério literário, ou seja, sabendo que os portugueses eram pouco voltados para o cultivo das letras, mas deveriam ser como os gregos e romanos que apesar de grandes dificuldades venceram e se impuseram ao mundo, escreveu esta carta fazendo elogia das letras, revelando o seu nacionalismo linguístico.

Depois de realçar o valor das letras, censura o amigo por escrever em castelhano e incentiva-o a escrever em português, para exemplo de outros e porque, assim, contribuirá para o enriquecimento da língua e cumprirá o seu dever.

Faz então (como se pode ver nestes versos) a apologia da língua portuguesa e a critica aqueles que nada têm feito para a valorizar escrevendo em castelhano. 

Significados das palavras/expressões seguintes:

”Floreça” : desejo de que a língua portuguesa se enriqueza

“fale, cante”: a língua portuguesa deve ser usada quer oralmente, quer através de belos poemas

"ouça-se e viva”: a sua língua deve ser divulgada como merece

António Ferreira enaltece, ainda, o nosso idioma através da personificação: “Senhora vá de si, soberba e altiva” pois, tal como uma Senhora nobre deve sentir-se orgulhosa de si própria, também a língua portuguesa tem todas as potencialidades para se impor. Responsabiliza os que a depreciam não a utilizando ou fazendo-o incorretamente: “Se t’équi” esteve baixa e sem louvor / culpa é dos que a mal exercitam”.

Há pois, toda numa apologia, exaltação da língua mãe e o incentivar a que alguém a leve ao alto grau que merece. Pensa talvez, na possibilidade da elaboração de um poema épico, sonho que, mais tarde, Camões vem a concretizar com os famosos “Lusíadas”.


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