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E a festa continuou no dia 25 abril, sempre com imensa gente a ouvir música e Cânticos

 

Aquele claro sol, poema de António Ferreira e sugestões de análise


Poeta português do séc. XVI 

Poema

Aquele claro sol, que me mostrava

o caminho do céu mais chão, mais certo,

e com seu novo raio, ao longe, e ao perto,

toda a sombra mortal m'afugentava,


deixou a prisão triste, em que cá estava.

Eu fiquei cego, e só, c'o passo incerto,

perdido peregrino no deserto

a que faltou a guia que o levava.


Assi c'o esprito triste, o juízo escuro,

suas santas pisadas vou buscando

por vales, e por campos, e por montes.


Em toda parte a vejo, e a figuro.

Ela me toma a mão e vai guiando,

e meus olhos a seguem, feitos fontes.

                                    António Ferreira


  Sugestões de análise

António Ferreira perdeu a sua mulher, Maria Pimentel, e em alguns poemas, como o que temos presente,  neste poema, revela-nos seu mundo de agonia por essa perda.

O sujeito poético faz realçar a intensidade do seu sofrimento através da insegurança com que caminha no deserto da vida, perdido o Sol que o guiava; do anseio com que procura a mulher amada e da ilusão que o alimenta imaginando vê-la  em toda a parte e não encontrando mais do que a lembrança, cuja dor o poeta sugestivamente traduz no último verso, a que não falta sequer a harmonia imitativa das suas últimas palavras, a transmitir o borbulhar da água que, brotando dos seus olhos, forma uma fonte.


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