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A Natureza a renovar-se-Chegou a Primavera!

 

OS LUSÍADAS - Estudo do Episódio: Batalha de Aljubarrota. Pertence ao Canto IV. Estâncias 28-38 e explicação em português atual


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(Portuguese Edition) eBook Kindle

cilamatos é o pseudónimo de Licínia Matos 

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Francês) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal 

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Pertence ao Plano da História de Portugal

A descrição da batalha põe em relevo a bravura patriótica de D. Nuno Álvares Pereira e 
a tática militar (que ficou conhecida como a "tática do quadrado") e foi o segredo para os portugueses derrotarem os castelhanos

28
"Deu sinal a trombeta Castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escutaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.

Explicação
A trombeta dos castelhanos tocou horrivelmente para o combate. O seu som ouviu-se por todo o país. O próprio Tejo pareceu fugir de terror para o mar e as mães, ouvindo aquele som terrível, apertaram os filhos contra o peito (para os proteger).

29
"Quantos rostos ali se vêem sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo;
E se o não é, parece-o; que o furor
De ofender ou vencer o duro amigo
Faz não sentir que é perda grande e rara,
Dos membros corporais, da vida cara.

Explicação
Quantos rostos pálidos, por o sangue correr para o coração, porque o medo, nos grandes momentos, é quase sempre maior do que o perigo! E, se o não é parece, pois a fúria de combater o inimigo costuma fazer esquecer o valor da vida.

30
"Começa-se a travar a incerta guerra;
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la;
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba, e encontra, e a terra enfim semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.

Explicação
Começou o combate. A primeira ala de ambos os exércitos movimentou-se. Uns (os portugueses) combatiam para defender a pátria e os outros (os castelhanos) por ambição de conquista. O primeiro a distinguir-se foi o grande Pereira (Nuno Álvares Pereira), matando os castelhanos e enchendo a terra com os seus corpos.

31
"Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças; e as frequentes
Quedas coas duras armas, tudo atroam;
Recrescem os amigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.

Explicação
Voavam grandes farpas, setas, muitos tiros. Tremia a terra debaixo das patas dos cavalos. As quedas dos cavaleiros faziam grande ruído. Os castelhanos, então correram velozmente em direção os poucos soldados de Nuno Álvares Pereira que os ia matando.

32
"Eis ali seus irmãos contra ele vão,
(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!)
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.

Explicação
(Nesta batalha) Nuno Álvares (coisa horrível) viu os seus dois irmãos combaterem contra ele. Mas não se admirou, porque era menos grave, querer matar um irmão, do que combater contra o rei e contra a pátria. Muitos outros renegados vinham no primeiro esquadrão (combater) contra irmãos e parentes. Estranho caso, semelhante ao que sucedeu na guerra civil entre César e Pompeu.

33
"Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos,
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos,
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns tredores houve algumas vezes.

Explicação
Sertório, Coriolano e Catilina, e outros dos antigos, quando morreram foram castigados por serem inimigos da pátria, mas também houve alguns portugueses traidores.

34
"Rompem-se aqui dos nossos os primeiros,
Tantos dos inimigos a eles vão!
Está ali Nuno, qual pelos outeiros
De Ceita está o fortíssimo leão,
Que cercado se vê dos cavaleiros
Que os campos vão correr de Tetuão:
Perseguem-no com as lanças, e ele iroso,
Torvado um pouco está, mas não medroso.

Explicação
Os portugueses foram os primeiros a ir combater e foram muitos os inimigos que correram para eles. Alí estava Nuno (Nuno Álvares Pereira) tal como o terrível leão de Ceuta ao ver-se cercado pelos cavaleiros de Tetuão. É perseguido por lanças, irrita-se e perturba-se, mas não se intimida.

35
"Com torva vista os vê, mas a natura
Ferina e a ira não lhe compadecem
Que as costas dê, mas antes na espessura
Das lanças se arremessa, que recrescem.
Tal está o cavaleiro, que a verdura
Tinge co'o sangue alheio; ali perecem
Alguns dos seus, que o ânimo valente
Perde a virtude contra tanta gente.

Explicação
Olha para eles (os inimigos) perturbado, mas a sua fúria natural e a cólera não o fazem fugir; pelo contrário arroja-se às lanças. Era assim que estava Nuno, Álvares Pereira que tingia a verdura com o sangue dos inimigos; mas morreram alguns portugueses, porque não havia força possível contra tantos (inimigos castelhanos).

36
"Sentiu Joane a afronta que passava
Nuno, que, como sábio capitão,
Tudo corria e via, e a todos dava,
Com presença e palavras, coração.
Qual parida leoa, fera e brava,
Que os filhos que no ninho sós estão,
Sentiu que, enquanto pasto lhe buscara,
O pastor de Massília lhos furtara.

Explicação
D. João I afligiu-se com o aperto em que estava Nuno, porque, sendo chefe admirável, via tudo e acudia a tudo. Como a feroz leoa, mãe, ao sentir que os filhos que deixou, no ninho, enquanto procurava alimento para eles, eram roubados pelo caçador de Massília (Numidia).

37
"Corre raivosa, e freme, e com bramidos
Os montes Sete Irmãos atroa e abala:
Tal Joane, com outros escolhidos
Dos seus, correndo acode à primeira ala:
-"Ó fortes companheiros, ó subidos
Cavaleiros, a quem nenhum se iguala,
Defendei vossas terras, que a esperança
Da liberdade está na vossa lança.

Explicação
Corre com ira, a rugir, abalando as montanhas (“monte Sete Irmãos”) com os rugidos; da mesma forma D. João I correu com alguns da sua comitivado seu estado maior até à primeira ala, gritando: “Ó valentes sem igual, defendei a vossa pátria, a liberdade dela depende das vossas armas.

38
-"Vedes-me aqui, Rei vosso, e companheiro,
Que entre as lanças, e setas, e os arneses
Dos inimigos corro e vou primeiro:
Pelejai, verdadeiros Portugueses!"-
Isto disse o magnânimo guerreiro,
E, sopesando a lança quatro vezes,
Com força tira; e, deste único tiro,
Muitos lançaram o último suspiro.

Explicação
“Vedes, como eu, sendo o vosso Rei, estou aqui não só como vosso Rei mas também vosso companheiro e sou o primeiro a guerrear, entre lanças, setas e arneses. Guerreai, verdadeiros Portugueses”. Dizendo isto 4 vezes lança a arma e, neste único golpe, matou muitos inimigos.

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