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Os Lusíadas- O Concílio dos deusesTeste com perguntas e respostas

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Os Lusíadas

Teste nº 2
Canto I
O Concílio dos deuses

Perguntas/ sugestões de respostas sobre as Estâncias 19-23
19
Já no largo oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
 Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Proteu são cortadas.

gado= os peixes
Proteu=divindade marinha, guardava os peixes
20
Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
Onde o governo está da humana gente
Se ajuntam em consílio glorioso,
Sobre as cousas futuras do Oriente,
Pisando o cristalino Céu fermoso,
Vem pela Via Láctea juntamente,
Convocados, da parte de Tonante,
Pelo neto gentil do velho Atlante.

Olimpo=monte nos Balcãs, habitação dos deuses.
consílio=Conselho.
Tonante=Júpiter, deus do trovão e divindade suprema.
neto do velho atlante=Mercúrio, mensageiro dos deuses.

21
Deixam dos Sete Céus o regimento,
Que do poder mais alto lhe foi dado,
Alto Poder, que só c'o pensamento
Governa o Céu, a Terra e o Mar irado.
Ali se acharam juntos num momento
Os que habitam o Arcturo congelado
E os que o Austro tem e as partes onde
A aurora nasce, e o claro sol se esconde.

regimento=governo.
Alto Poder=poder divino (de Júpiter).
Arcturo congelado=Norte, Árctico.
Austro=Sul
partes onde a aurora nasce e o claro Sol se esconde=Oriente e Ocidente.

22
Estava o Padre ali, sublime e dino,
Que vibra os feros raios de Vulcano,
Num assento de estrelas cristalino,
Com gesto alto, severo e soberano;
Do rosto respirava um ar divino,
Que divino tornara um corpo humano;
Com ua coroa e ceptro rutilante,
De outra pedra mais clara que diamante

Padre= pai (Júpiter)
dino=digno
que vibra os feros raios de Vulcano= vulcano, filho de Jupiter, forjava os raios que o pai arremessava.
ua=uma

23
Em luzentes assentos, marchetados
De ouro e de perlas, mais abaixo estavam
Os outros Deuses, todos assentados
Como a Razão e a Ordem concertavam
Precedem os antigos, mais honrados,
Mais abaixo os menores se assentavam;
Quando Júpiter alto, assi dizendo,
Cum tom de voz começa, grave e horrendo:


Pergunta nº 1
  Divide o texto em partes lógicas e indica o assunto de cada uma delas.

Sugestões de resposta
O texto divide-se em 3 partes lógicas.
Primeira parte: 1ª estância até ao 4º verso da segunda: "Já no largo (...) cousas futuras do Oriente". São evidenciadas as circunstâncias e o ambiente em que a armada portuguesa prosseguia, através do Oceano, na altura em que os deuses se iam reunir em concílio.

Segunda parte: os restantes versos da segunda estância e toda a estância 21: "Pisando o cristalino(...)claro sol se esconde". Trata-se da partida dos deuses das diversas regiões do Céu e a sua chegada ao lugar onde se realizaria o concílio.

Terceira parte: as duas últimas estrofes: "Estava o Padre(...)começa grave e horrendo". Ia realizar-se o concílio e o poeta faz a descrição do assento de Júpiter, da sumptuosidade com que ele se apresenta sentado num plano superior; a distribuição dos outros deuses pela sala, num plano inferior e dispostos hierarquicamente: os mais antigos sentados mais próximo de Júpiter e os outros, em lugares sucessivamente mais baixos, de acordo com a importância de cada um.


Pergunta nº 2

Com base na 2ª e 3ª partes do texto indica as expressões que caraterizam os deuses e diz qual a intenção do poeta ao imprimir-lhes um ar de sublime nobreza

Sugestões de resposta
O poeta carateriza os deuses através de expressões que os apresentam como seres superiores, respeitados e temidos pelos homens. Júpiter é: "o Tonante, (...) o Padre sublime e dino (...) com gesto alto, severo e soberano/, do rosto respirava um ar divino(...), Júpiter alto, grave e horrendo". Mercúrio, o mensageiro dos deuses, é caraterizado na sua simpática presteza e resistente velocidade: "o neto gentil do velho Atlante” (Velho Atlante=Mercúrio). Os deuses são, ainda, caraterizados pelos ricos ambientes que pisam, pela maneira de vestir e pela grandeza das regiões que dominam: vêm "pisando o cristalino céu formoso(...) deixam dos Sete Céus o regimento/ que do poder mais alto lhes foi dado(...) num assento de estrelas cristalino (...) "com ua coroa e cetro rutilante,/ de outra pedra mais clara que diamante (referência a Júpiter) / "Em luzentes assentos, marchetados/ de ouro e de perlas(...)". Todas estas expressões nos revelam os deuses como seres superiores aos homens, imponentes no aspeto e nos ambientes que frequentam. Esta importância está de acordo com a função do maravilhoso n'Os Lusíadas: uma alegoria de enaltecimento dos feitos portugueses que, por ação dos deuses, adquiriram uma grandeza transcendente. A sublime majestade dos deuses reflete-se na sublimidade dos feitos portugueses.

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