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SE HELENA

Quando entoar começo...Poema de António Ferreira e sugestões de análise

António Ferreira
Escritor português do séc XVI


Quando entoar começo com voz branda

Vosso nome d'amor, doce, e suave,

A terra, o mar, vento, água, flor, folha, ave

Ao brando som se alegra, move, e abranda.


Nem nuvem cobre o Céu, nem na gente anda

Trabalhoso cuidado, ou peso grave,

Nova côr toma o Sol, ou se erga, ou lave

No claro Tejo, e nova luz nos manda.


Tudo se ri, se alegra, e reverdece.

Todo mundo parece que renova.

Nem ha triste planeta, ou dura sorte.


A minh'alma só chora, e se entristece .

Maravilha d' Amor cruel, e nova!

O que a todos traz vida, a mim traz morte.


Sugestões de análise


Soneto da natureza essencialmente petrarquista.

O sujeito poético enaltece a amada através da repercussão que tem o simples facto de pronunciar “o seu nome de amor” sobre a natureza em geral e até sobre os homens. No entanto há uma exceção -  enquanto, na natureza e nos homens, acontecem coisas maravilhosas ao som desse nome, por antítese a  ele traz-lhe imenso sofrimento.

A natureza (terra, sol, mar, vento, água, aves...) enche-se de alegria e movimento: "S’alegra, move” ou fica mais calma: “abranda”, em situações de mau tempo e então o sol erradia cada vez mais bonito: “nova luz ao mundo manda” e as nuvens desaparecem. 

Também os problemas das pessoas se resolvem e se transformam em momentos felizes: “nem na gente anda (...) grave”. 

Enfim, dá-se uma mudança radical em sentido positivo que culmina com a personificação da natureza: “tudo ri, se alegre, reverdece”.

Por oposição, tal como já foi referido, para o poeta o nome da amada traduz-se em sofrimento, desgosto o que, provavelmente, se deve ao facto da amada não corresponder aos seus sentimentos amorosos. daí a antítese - vida / morte.

Alguns recursos estilísticos mais relevantes:


adjetivação: “branda” / “doce” / “suave”. 

Estes recursos servem para a caracterização da sua voz e do nome da amada.


Enumeração: “Terra, mar, água...”


Formas verbais: “alegre, move, abranda...” que têm como objetivo caracterizar a natureza


Repetição: “ou / ou”; “nem / nem” que têm a finalidade de dar mais realce


Encavalgamento: “nem na gente anda / trabalhosa”


Anáfora: “nem / nem”






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