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SE HELENA

Eugénio de Andrade- poema : Esse Verde-sugestões de análise



Escritor português
 Poeta, tradutor, escritor
Género literário:poesia lírica

Nome completo: José Fontinhas
Pseudónimo: Eugénio de Andrade

Nascimento: 1923
Morte: 2005

Recebeu vários prémios 





        ESSE VERDE

Entre o verde complacente

das palavras corre o silêncio,

assim como um cabelo- ou neve.


Já foi uma criança, esse verde,

inquieta de tanto olhar

a noite nos espelhos-

agora encostada ao meu ombro

dorme no outono inacabado.


É como se me fosse consentido

conciliar a flor do pessegueiro

com um coração fatigado,

essa criança que no vento

cresce simplesmente ou esquece.


Vai perder-se, não tarda,

vai perder-se na água sem memória

assim como indiferente cai

um cabelo- ou neve.

          Eugénio de Andrade

Sugestões de análise ideológica para ajudar na compreensão do poema

O sujeito poético criou um hino ao homem, num texto onde o evoca desde a sua mais tenra idade (criança ) a quem ele chama verde metaforicamente: "verde” e “flor de pessegueiro”, passando para a meia-idade “outono inacabado” até à velhice “Vai perder-se, não tarda”. É a efemeridade da vida que está aqui representada.

A metáfora expressa na comparação da criança ao verde e flor de pessegueiro é muito sugestiva. O verde é a cor da esperança e as crianças são a esperança no futuro. Por outro lado, a flor de pessegueiro faz lembrar a primavera que sugere alegria e boa disposição. E haverá algo que transmita maior prazer do que a alegria que erradia das crianças? Não são elas que enchem de felicidade os nossos dias e nos ajudam a ultrapassar os momentos difíceis? 

Mas as crianças, segundo Eugénio de Andrade, não são apenas aqueles seres pequeninos, indefesos e irresponsáveis que tantos adultos pensam que eles são. Elas têm as suas inquietações que vêm refletidas simbolicamente na “noite” visto “nos espelhos”.

Essas crianças dão lugar ao homem adulto, ao de meia-idade, ao idoso-é a metamorfose pela qual vai passando o ser humano que é a sugerida pela transformação do “verde” e “flor de pessegueiro"(criança) /primavera,  em “outono” (meia-idade). A criança traquina deu lugar ao homem passivo, já cansado que precisa de ombro amigo para descansar “Agora encostada...outono inacabado”. E no fluir do tempo, chega a velhice. Tal como na natureza tudo se transforma pela passagem das estações do ano (“verde flor de pessegueiro”) = primavera; “outono inacabado= outono da vida , meia-idade); “vento” /neve-inverno= velhice. Paralelo entre as mudanças na natureza : estações do ano  e o que se passa com a vida humana.

O sujeito poético para transmitir a sua bela mensagem serviu-se de alguns recursos estilísticos. Além dos já referidos salientamos, ainda - a adjetivação  expressiva: “complacente”; “inquieta”; “inacabado”; “fatigado”;  “indiferente” que caracteriza o ser humano desde criança até à velhice; comparação: “como um cabelo”; “assim como indiferente....”; a metáfora “cai - um cabelo ou  neve” . A comparação dos cabelos à neve sugere os cabelos brancos do idoso. 

marfer/cilamatos

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